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Palestra Itália: Transformações

Ao longo dos anos reformas e transformações foram acontecendo no clube e no estádio. A primeira delas foi em 1936, na gestão de Rafael Parisi, aonde foram edificadas as tribunas dos conselheiros vitalícios e de honra. Construção imponente, sem colunas e sob seus baixos ficariam o restaurante e o salão de festas.

Sócios vitalícios, diretoria, imprensa, todos os setores eram numerados, e tudo foi entregue em uma grande festa no dia 19 de setembro de 1936.

Em 1937, na gestão de Ítalo Adami, e com a colaboração da CBD, o Palestra construiu a tribuna de madeira que ficava atrás do arco de entrada do estádio. Essa construção foi para os jogos entre a Seleção Brasileira e a Seleção Argentina na disputa da Copa Roca.

Após anos sem muitas modificações, foi na década de 50, que começaram a surgir as propostas de uma remodelação do estádio.

Nesta época o Palmeiras vivia a primeira gestão, na presidência, do Dr. Paschoal Walter Byron Giuliano, no qual ele nomeou uma comissão para cuidar das obras. Essa comissão era encabeçada pelo diretor de obras, o Dr. Mário Beni que começou a estudar os projetos.


O PROJETO E AS OBRAS

Em 1955 Mário Beni chegou a presidência do Palmeiras e deu andamento a várias reformas na parte social. Ele também deu início no ano de 1958, as transformações no estádio.

O projeto era do jovem engenheiro Clóvis Felipe Olga, que mostrava as arquibancadas seriam totalmente remodeladas e o campo de jogo se tornaria um "jardim suspenso".

Também em 1958, o Conselho de Orientação e Fiscalização oficializou o nome "Estádio Palestra Itália", porém ninguém havia percebido que esse nome já existia desde a compra do terreno.

Em 1959 o Dr. Delfino Fachina chega à presidência do Palmeiras, dando continuidade às obras do estádio. Em 29 de Novembro de 1959, no dia em que o Palmeiras venceu o Santos por 5 a 1, eram entregues o primeiro setor de prolongamento das gerais, que atualmente chamamos de arquibancada.

A obra terminou em 1964, aonde foram entregues, as novas numeradas, a arquibancada prolongada com um semi-círculo em seu final e o setor das sociais, aonde havia um lugar específico para os associados. Também foram reformados os banheiros, as cabines de rádio e televisão, a tribuna de honra, onde ficavam a alta cúpula do clube e convidados da Federação Paulista de Futebol, CBD (hoje CBF) e autoridades, e também foram criadas as cadeiras cativas, aonde da venda dessas cadeiras foi arrecadado parte do dinheiro investido nas obras.

Em Setembro de 1964 a Sociedade Esportiva Palmeiras, com uma grande festa, entregava as obras de seu remodelado estádio.

Confira a ficha técnica do jogo inaugural:

07/09/1964 - Palmeiras 2 X 0 Esportiva de Guaratinguetá (Campeonato Paulista)
Palmeiras: Valdir Joaquim de Morais; Caetano, Djalma Dias e Ferrari; Dudu e Valdemar Carabina; Gildo, Ademar Pantera, Picolé, Tupãzinho e Rinaldo
Técnico: Silvio Pirilo
Esp. Guaratinguetá: Acosta; Bolar, Jorge e Rubens; Luís César e Zózimo; Roberto, Luís Carlos, Nenê, Sauí e Édson
Técnico: Carlos Silva
Gols: Ademar Pantera e Rinaldo
Árbitro: Teodoro Nitti
Renda: Cr$ 19.600.000,00
Público: 31.900 pagantes

OUTRAS INOVAÇÕES

Em 1970 foi inaugurado o primeiro placar eletrônico do Estádio Palestra Itália. Em um pioneiro projeto de parceria com a marca de relógios Citizen.

Trava-se de um moderníssimo sistema, que permitia tanto em jogos diurnos, como em jogos noturnos, o torcedor acompanhar o placar e a cronometagem em duplo aspecto, no de hora e no de minutos.

Durante os anos que se passaram, a maior parte das reformas que eram feitas, tinham um caráter de manutenção do estádio, até que em 1988, na gestão do presidente Nelson Duque, foi inaugurado o placar eletrônico que perdura até hoje.

O dado curioso foi que o placar tinha uma parte superior, onde ficava o baner do patrocinador, que era a Philips, este baner caiu em uma das muitas chuvas torrenciais que caíram em São Paulo naquele ano.

Mas isso tem explicação: O Palestra Itália estabeleceu que os projetos não poderiam ultrapassar o valor máximo de 1.500 contos de réis, então algumas empresas desistiram de enviar seus projetos.

Seis empresas participaram do concurso. Foram quatro de São Paulo, uma do Rio de Janeiro, do arquiteto Raul Penafirme e uma de Milão, do arquiteto Ferdinando Malgarini.

A comissão julgadora foi composta pelos engenheiros, Victor da Silva Freire, Antonio Rocco, Nicola Rollo, Alfonso Chioccarello, e sr. Ramos de Azevedo, que hoje empresta seu nome a uma das praças mais conhecidas do centro da cidade de São Paulo. Reunida à comissão julgadora, foram abertos os envelopes que foram entregues com pseudônimos dos projetos e nomes dos participantes, e que terminaram assim a classificação:

1º - Dr. Ettore Battiti (Spartaco) - 5.000$000
2º - Dr. Giovanni Bianco (Gibi) - 3.000$000
3º - Drs. Moya e Malfatti e Doício Pacheco e Silva (Augustos) - 2.000$000

Após o parecer da comissão julgadora, o projeto vitorioso foi encaminhado à diretoria, para estudar a realização da obra. Posteriormente problemas foram surgindo e a execução do estádio foi demorada, porém mais um passo importante para a construção do estádio palestrino fora dado.

QUASE MUDOU

Uma das muitas curiosidades, ao longo da história, foi que por duas vezes, quase o Palmeiras mudou de endereço.

Como construir um estádio sempre custou caro, foi ventilada, em 1927, a possibilidade de o Verdão trocar o terreno do Parque Antarctica, por uma ampla área, que a prefeitura de São Paulo ofereceu, próximo as margens do Rio Tiête mais uma quantia em dinheiro, sendo que com esse dinheiro o Palestra Itália iniciaria das obras do estádio, porém esta proposta foi recusada pela diretoria alviverde.

Depois em 1928, foi feita uma nova proposta uma troca do atual terreno do Parque Antarctica, por um outro terreno, amplo, na região do Pacaembu. Novamente essa proposta foi recusada. O conselheiro Ângelo Cristófaro, em uma reunião do Conselho Deliberativo, propôs que fossem esquecidas as ofertas de troca do terreno, e que o clube se concentrasse na construção do estádio ali mesmo no Parque Antarctica.


OBRAS E INAUGURAÇÃO

Enquanto era realizado, o projeto de construção do estádio sofria algumas mudanças e adaptações, alguns anos se passaram até que em 1933, na gestão do presidente Dante Delmanto, o novo Parque Antarctica - Estádio Palestra Itália - era entregue para torcida palestrina e também para todos os paulistanos. A inauguração do remodelado estádio foi um marco para a cidade de São Paulo. Os bondes que saiam do triangulo central, constituídos pelas ruas XV de Novembro, São Bento e Direita, rumavam em direção ao renovado estádio alviverde.

O Palestra entregava o estádio com a geral toda remodelada, em substituição a antiga que era recortada no morro. Também foi entregue para os sócios a imponente tribuna social, feita em cimento armado, com os vestiários, departamento médico, rouparia e salão nobre na parte debaixo. Ao lado ficava a antiga arquibancada de madeira, que agora estavam renovadas, no fundo atrás do arco, agora também remodelado, a outra parte de tribunas de madeira. Mas a grande comemoração era pela inauguração das obras em cimento armado.

A festa foi grande, toda a coletividade palestrina presente, com destaque para a maciça presença feminina.

Neste dia de festa o Palestra enfrentou o Bangu pelo torneio Rio- São Paulo e goleou a equipe carioca por 6 a 0.





13/08/1933 – Palestra Itália 6 X 0 Bangu (Torneio Rio-SP)
Palestra: Nascimento; Carne e Junqueira; Tunga, Dula (Zico) e Tuffy; Avelino, Gabardo, Romeu Pelicciari, Lara e Armandinho
Técnico: Humberto Cabelli
Bangu: Euclides; Mário e Sá Pinto; Paulista, Santana e Médio; Sobral, Ladislau, Tião, Plácido e Dininho (Vivi)
Técnico: Luiz Vinhaes
Gols: Gabardo (2), Avelino (2) e Romeu Pelicciari (2)
Árbitro: Haroldo Dias da Mota

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