Aguerrido, brigador e preciso no desarme, Dudu protegia a zaga alviverde como um gladiador incansável. Foi assim que, em 12 temporadas, tornou-se o terceiro jogador que mais entrou em campo na história do Palmeiras com mais de 600 jogos. Também se sagrou tricampeão paulista, pentacampeão brasileiro (feito que só ele e Ademir da Guia alcançaram pelo Verdão), disputou a Copa de 1974 na Alemanha, conquistou um título como técnico e foi imortalizado, em 2016, com um dos seis bustos de bronze que hoje ornam a sede social do clube.

Olegário Tolói de Oliveira nasceu em Araraquara-SP e iniciou a carreira profissional em 1959, na Ferroviária, já com o apelido que recebeu do avô, sr. Redente Toloi. Depois de cinco anos brilhando no interior, chamou a atenção do Palmeiras e foi contratado em 31 de março de 1964, curiosamente na data em que eclodiu o golpe militar no Brasil, fato que dificultou o retorno de Dudu a Araraquara porque a estação ferroviária fora fechada. A sorte foi que o hotel onde a Ferroviária costumava se hospedar ficava próxima à estação, e o gerente era seu conhecido. Assim, mesmo sem dinheiro para pagar a diária, o garoto teve onde dormir.

A estreia aconteceu em 11 de abril de 1964, mesmo dia em que Castelo Branco era empossado Presidente da República pelo Congresso Nacional. Àquela altura, a Primeira Academia do Verdão já estava formada – embora só fosse ganhar a alcunha no ano seguinte, em 1965 – e Dudu, para garantir presença naquele esquadrão, precisou adaptar seu estilo.

“Eu tinha qualidade para atacar e saía muito para o jogo na Ferroviária. Joguei assim em 1964, no Palmeiras. Mas comecei a sentir que não estava certo. Então, o Djalma Santos, o [Valdemar] Carabina e o Djalma Dias conversaram comigo: ‘Magrinho, você corre muito e nos atrapalha aqui atrás. Deixa o Ademir municiar o ataque. Fica aqui na frente da zaga. Você não precisa fazer gols’. Entendi o recado. Até porque sempre fui detalhista. Estudava os rivais. Tentava saber como jogavam, por onde driblavam. Mas as coisas só melhoraram com a ajuda dos mais velhos e com a chegada de Filpo Nuñez, que arrumou de vez o time. Ele berrava para mim: ‘Toca la pelota, Duda! É pimpampum!’. Não era Dudu, era Duda, mesmo. E eu tocava. Foi quando me aperfeiçoei na marcação e na cobertura e cheguei à Seleção”, conta o craque.

E foi seguindo o conselho dos mais experientes que Dudu conquistou, pouco a pouco, seu lugar no time substituindo o volante Zequinha, reserva de Zito na conquista da Copa do Mundo de 1962. Nos anos que viriam, foi titular no jogo em que o Palmeiras enfrentou o Uruguai com a camisa do Brasil em 1965, faturou o Torneio Rio-São Paulo daquela mesma temporada, sagrou-se campeão paulista em 1966 e garantiu os dois títulos nacionais disputados no ano de 1967: a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Entre o final dos anos 1960 e início dos anos 1970, o Palmeiras passou por uma fase de transformação. A saída de craques como Valdir, Djalma Santos, Ferrari, Servílio e Tupãzinho abriu espaço para Leão, Eurico, Luis Pereira, Alfredo, Zeca, Edu Bala, Leivinha e Nei, que se juntaram a Cesar Maluco (contratado em definitivo após o empréstimo de 1967), Ademir da Guia e ao próprio Dudu para formar a célebre Segunda Academia.

Com Oswaldo Brandão no comando, o Verdão conquistou os cinco torneios que disputou em 1972 (entre eles, o Paulista e o Brasileiro) e garantiu o bicampeonato estadual e nacional em 1973. Já em 1974, a participação de Dudu na final do Paulistão contra o Corinthians ficou na memória alviverde. Era 22 de dezembro, Morumbi. O rival tentava sair da fila de 20 anos sem título, mas o Palmeiras saiu na frente com gol de Ronaldo. Até que, aos 20 minutos do segundo tempo, Rivelino arriscou uma bomba em cobrança de falta e Dudu, que estava na barreira, se pôs à frente da bola. E foi atingido. Foi um tiro certeiro na testa do volante, que, logo em seguida, desmaiou. Enquanto Dudu era atendido fora de campo, o jogo continuava e uma nova falta havia sido marcada a favor do Corinthians. E mais uma vez, Rivelino preparava a canhota para a cobrança. Eis que Oswaldo Brandão desferiu alguns tapinhas contra o rosto do volante. Ainda meio zonzo, porém determinado, Dudu se levantou e, para delírio da torcida, chegou bem na hora da cobrança de falta, para ajudar na barreira. A decisão e a coragem de Dudu fizeram com Rivelino se inibisse e não chutasse ao gol, preferindo cruzar a bola. O placar seguiu inalterado até o final, e o Verdão levantou mais um caneco.

Dudu anunciou sua aposentadoria aos 36 anos. A derradeira partida aconteceu em 24 de janeiro de 1976, no empate entre Palmeiras e Portuguesa por 3 a 3, no Palestra Italia, em partida válida pelo Torneio Laudo Natel. No mesmo ano, Dudu foi convidado para ser o treinador do time e deu sequência ao trabalho de Dino Sani, assumindo o cargo em maio de 1976 e conduzindo a equipe a mais uma taça estadual. Ao todo, comandou o Verdão em três oportunidades (1976/77, 1981 e 1990/91), totalizando 142 jogos (75 vitórias, 45 empates e 22 derrotas).

Saiba mais:
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Olegário Tolói de Oliveira 7 de novembro de 1939
Araraquara-SP

Posição: Volante

Número de temporadas: 13

Clube anterior: Ferroviária-SP

Jogos:

615 (345 vitórias, 160 empates e 110 derrotas)

Estreia: Palmeiras 1×2 Santos (11/04/1964)

Último jogo: Palmeiras 3×3 Portuguesa (24/01/1976)

Gols: 29

Primeiro gol: Palmeiras 2×5 São Paulo (15/11/1964)

Último gol: Palmeiras 4×1 Corinthians (15/12/1974)

Principais títulos:

Torneio Rio-São Paulo em 1965; Campeonato Paulista em 1966, 1972 e 1974; Campeonato Brasileiro em 1967 (Torneio Roberto Gomes Pedrosa), 1967 (Taça Brasil), 1969, 1972 e 1973

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